PARIS – Num movimento que combina o estilo escandinavo com a moda circular, a marca dinamarquesa Ganni associou-se à gigante francesa de revenda Vestiaire Collective para lançar um serviço dedicado que permite aos clientes trocar peças Ganni pré-amadas por crédito instantâneo na loja.
A parceria, lançada quinta-feira, visa fortalecer a fidelidade à marca e, ao mesmo tempo, reforçar o compromisso de ambas as empresas com a moda circular.
“Esta colaboração reflete a nossa crença de que a circularidade deve ser conveniente, gratificante e orientada para a comunidade”, disse a CEO da Ganni, Laura du Rusquec.
Através do novo programa, os clientes da Ganni podem enviar suas peças usadas diretamente pela plataforma da Vestiaire Collective. Depois que um item é autenticado e aceito, o vendedor recebe um cartão-presente Ganni com um bônus adicional de 10%, proporcionando valor instantâneo e eliminando a necessidade de esperar por uma venda. Oferece coleta em domicílio no Reino Unido e na UE.
“Agora é realmente a hora de a indústria da moda se unir e acelerar o progresso em termos de sustentabilidade. Sempre acreditamos que a colaboração é a chave para criar mudanças reais”, disse du Rusquec ao WWD. Ela enquadrou a parceria como um “próximo passo muito natural”.
“Esta colaboração permite-nos fortalecer o nosso trabalho global em modelos de negócios circulares e explorar como a revenda pode tornar-se uma parte central do nosso ecossistema”, acrescentou. O próximo roteiro de sustentabilidade da empresa será lançado no primeiro trimestre de 2026, quando Ganni anunciará suas metas até 2028.
A “Ganni Girl”, popularizada pelo Instagram, já participa da revenda e esta parceria visa facilitar e ao mesmo tempo continuar engajando sua comunidade.
O acordo adiciona outra marca contemporânea à lista de revenda como serviço da Vestiaire e ajuda a aprofundar sua posição no mercado escandinavo. É a mais recente marca a aderir ao programa RasS da Vestiaire Collective, que apoia as marcas na integração da revenda nos seus principais modelos de negócio, desde o seu lançamento em 2021.
O novo CEO da Vestiaire Collective planeja acelerar o RaaS da empresa, chamando-o de essencial para o crescimento futuro. O foco no futuro é aprofundar parcerias seletivas e alinhadas com valor, ao mesmo tempo em que torna a revenda mais simples e imediata.
“Vejo uma oportunidade significativa para acelerar e evoluir este programa”, disse o novo CEO do Vestiaire Collective, Bernard Osta, ao WWD. Ele assumiu as rédeas em 7 de outubro. “Expandiremos nosso portfólio de parceiros de marca, mas de forma seletiva, priorizando parceiros que compartilhem nossos valores e tragam fornecimento de qualidade. Aprofundaremos esses relacionamentos além das transações para criar verdadeiros ecossistemas circulares onde a revenda se torne a norma. E continuaremos inovando a experiência, tornando-a mais contínua, instantânea e sem atrito, como fizemos com Ganni.”
Os parceiros anteriores da marca incluem Chloé, Burberry e Isabel Marant, entre outros. Trazer a bordo uma marca moderna como a Ganni dá credibilidade adicional à circularidade. “Essa credibilidade é essencial à medida que continuamos a educar e converter novos públicos à moda pré-amada”, acrescentou Osta.

Quantas peças?
Cortesia do Coletivo Vestiaire
Ganni, conhecida pela sua estética contemporânea Scandi-cool, tem vindo a construir constantemente a sua agenda de circularidade ao longo dos últimos anos, explorando iniciativas de aluguer, recolha de produtos e reciclagem.
Este último movimento é uma evolução estratégica, permitindo à marca rentabilizar o envolvimento pós-compra, ao mesmo tempo que reduz o desperdício e incentiva o consumo responsável.
“Ao facilitar o prolongamento do ciclo de vida das peças de vestuário, não estamos apenas a reduzir o impacto ambiental, mas também a construir relações mais profundas com os consumidores”, afirmou Sophie Hersan, cofundadora e diretora de moda da Vestiaire Collective. “Este modelo transforma roupas não usadas em moeda e cria uma situação vantajosa para as marcas, os clientes e o planeta.”
O mercado de revenda continua a ganhar impulso, com vendas globais previstas para atingir 360 mil milhões de dólares até 2030, segundo dados do Boston Consulting Group.
