Espera-se que Amanda Nunes retorne da aposentadoria para enfrentar a ex-companheira de equipe Kayla Harrison pelo ouro no UFC, e um prospecto do American Top Team está curioso para ver como os dois pesos galos se sairão dentro do octógono.
Nunes deixou a ATT quando Harrison subiu ao topo da divisão dos leves sob a bandeira do PFL, admitindo que não se sentia “segura” sob o mesmo teto na Flórida. Nunes finalmente encerrou sua carreira em 2023 como rainha das duas divisões do UFC, e Harrison se separou do PFL como bicampeã para seguir em frente e conquistar o cinturão que pertenceu a Nunes.
Com Nunes de volta ao esporte para uma luta tão legada, alguns se perguntam se essa poderia acabar sendo a última aparição de Harrison no MMA. A ex-campeã peso galo da LFA e estreante no UFC Rio Bia Mesquita, que treina diariamente com Harrison no American Top Team, na Flórida, não acha que seja esse o caso.
“Acho que para ela essa luta com a Amanda vai ser um dos seus maiores objetivos na carreira, mas acho que ela ainda não terminou”, disse Mesquita ao MMA Fighting. “Kayla tem um fogo tão grande dentro de si, ela vai treinar todos os dias. Isso é muito inspirador porque ela já é campeã olímpica, ganhou o título do PFL duas vezes e agora é campeã do UFC, mas ela ainda está lá todos os dias perseguindo sua maior e melhor versão todos os dias. E lutar contra Amanda vai ser um de seus objetivos. Mas eu não acho que ela vai terminar ainda. Ouvi dizer que ela quer lutar na Casa Branca. Então com certeza outra lutar.”
Mais do que derrotar Nunes, um membro do Hall da Fama, Mesquita espera que Harrison acabe reabrindo o peso pena para buscar outro cinturão do UFC – e abra caminho para ela na categoria até 135 libras.
“Espero que (Harrison) consiga, porque é muito bom quando vemos mulheres abrindo muitas portas para outras meninas que estão surgindo, e acho que ela tem esse potencial”, disse Mesquita. “Talvez abrir novamente a categoria 145, subir e deixar a 135 para mim (risos). E aí poderemos ser os dois campeões.”
Harrison venceu 19 das 20 lutas de MMA desde sua estreia em 2018, oito por finalização, e finalizou Holly Holm e Julianna Peña para vencer duas de suas três lutas no UFC. Nunes, 23-5 como profissional, é faixa-preta de jiu-jitsu, mas obteve a grande maioria de suas vitórias por nocaute (13). Ganhando ou perdendo na volta da aposentadoria, o lugar de Nunes na história do MMA já está garantido.
“(Nunes) abriu muitas portas”, disse Mesquita. “Ela é a única mulher que tem dois títulos, 135 e 145. Ela fez sua história e nada vai mudar. Não importa o que vai acontecer nessa próxima luta. Fico feliz que ela volte porque os fãs sentem falta de vê-la lutar. Mas a história dela está feita. O nome dela estará lá para sempre. E estou muito feliz que ela tenha aberto todas as portas que estou aproveitando agora.”
O UFC ainda não anunciou a data da luta planejada entre Harrison e Nunes.
Na mesma noite, Mesquita faz sua estreia no octógono, porém, outro companheiro dela aparece na luta principal, quando Mateusz Gamrot enfrenta Charles Oliveira. A lenda do jiu-jitsu espera uma “luta incrível”, apesar do aspecto de curto prazo, com Gamrot substituindo Rafael Fiziev com menos de um mês de antecedência.
Mesquita é um dos maiores competidores da história do jiu-jitsu e segue invicto no MMA com cartel de 5 a 0, incluindo a conquista do título peso galo no LFA que levou ao acordo com o UFC. Sua estreia acontece sábado, no Rio de Janeiro, enfrentando Irina Alekseeva.
“Meu coração está dividido com um companheiro de equipe e um dos maiores nomes das artes marciais”, disse Mesquita. “Charles, sou um grande fã dele, de tudo que ele fez no MMA, principalmente ser grappler, todas aquelas finalizações que nos deixaram loucos durante toda a carreira.
“Mas o Gamrot também está pronto porque o wrestling dele está no ponto e é um dos melhores da categoria. Como fã de grappling, estou muito animado com essa luta. Esse confronto, acho que foi o melhor que poderia acontecer neste último minuto porque o Charles tem as tentativas de finalização que podem vir na hora, mas o Gamrot tem um estilo de wrestling muito bom que evita aquele jogo de finalização.”
