A rotina do dia do desfile de Christian Cowan provavelmente não se parecia com a de muitos outros estilistas nesta semana de moda. Antes do horário das 20h de sexta-feira, Cowan almoçou duas horas e tomou um banho de espuma – alguns chamariam isso de comportamento de diva, mas para canalizar as sereias das telas de Hollywood do passado, é melhor agir como elas.
“Eu adoro cinema de época, então queria evocar esse sentimento antigo, esse momento antes de alguém subir no palco”, explicou Cowan, escondido em uma escada momentos antes de o primeiro modelo subir ao palco. “Mesmo nos tempos modernos, acho que a parte mais emocionante de uma noitada ou de um dia especial é quando você está se preparando.”
Ele certamente capturou a onda de excitação que surge durante o processo de autocriação com negligês de renda, com alças deslizando pelos ombros e bainhas amontoadas no quadril, revelando ligas por baixo. Rasgados e esfarrapados, eles tinham uma qualidade desgastada pelo tempo, como se tivessem sido abandonados em um estúdio de cinema, apenas para serem redescobertos décadas depois. Em vez de trabalhar com novos tecidos, Cowan adquiriu roupas vintage que abrangem a era dourada de Hollywood, dos anos 20 aos anos 50, e as reciclou. “Nunca trabalhei assim antes”, disse ele. “Mas foi legal. Achei muito, muito divertido.”
A diversão se estendeu aos vestidos de manga asa de morcego inspirados em Diana Ross em “Mahogany” com costas abertas que expunham o “decote nas nádegas”. Essa zona erógena decolou ultimamente nas passarelas e no tapete vermelho e, embora controversa, a posição de Cowan é: “mais, mais, mais… o mundo seria um lugar melhor com mais decote”.
Aderindo principalmente ao preto com toques de cristal marinho, marrom e prata, Cowan optou por um visual mais maduro do que o que se esperava dele anteriormente. Uma modelo do tipo Marlene Dietrich vestida com uma maxissaia e uma jaqueta justa enfeitada com pele sintética capturou aquela postura, fazendo poses como um manequim de alta costura. Igualmente sofisticados eram seus casacos estilo Poiret, com gola funil e fecho de sapo.
Talvez seja todo o tempo que Cowan passa nos bastidores, primeiro com Kristin Chenoweth na Broadway e agora em um projeto de filme sem nome. Mas esta coleção, intitulada “Before the Door Opens”, abre uma nova porta para ele, pela qual ele deve continuar caminhando.
