RIO DE JANEIRO — Thiago Tavares está de volta ao UFC, mas não como lutador.
O brasileiro de 40 anos competiu pela organização 18 vezes entre 2007 e 2016, incluindo partidas contra Khabib Nurmagomedov, Brian Ortega e Clay Guida, e agora assina com a organização como médico.
Tavares se aposentou do MMA e se mudou para a Argentina para se formar em medicina e eventualmente voltou às artes marciais em sua cidade natal, Florianópolis, trabalhando como médico em mais de 300 lutas de MMA e muay Thai em promoções locais antes de obter sua licença da Association of Ringside Physicians.
Alex Davis, seu empresário de longa data desde a época do MMA, procurou Jeff Novitzky, vice-presidente sênior de saúde e desempenho de atletas do UFC, para defender a entrada de Tavares na organização em 2025. Dias depois, ele foi informado que Novitzky aprovou seu currículo e contatou a CABMMA, comissão responsável por supervisionar os shows do UFC no Brasil.
“Quando comecei a faculdade, estava pensando em começar um novo capítulo na minha vida”, disse Tavares ao MMA Fighting. “Já tinha começado a estudar nutrição e gostava da área da saúde, e também fui influenciado por alguns amigos que eram médicos.
“Eu não estava pensando necessariamente em trabalhar com esporte, só queria recalcular minha trajetória. Nem no dia mais otimista da minha vida pensei que conseguiria voltar ao UFC, que foi onde vivi todos os meus sonhos. Dezoito lutas dentro daquele octógono. E foi com o dinheiro que ganhei no UFC que consegui pagar minha faculdade de medicina.”
Tavares se emocionou assim que desembarcou no Rio de Janeiro na manhã desta quinta-feira, um dia antes da pesagem oficial do UFC Rio.
“Senti esse misto de gratidão e sonho realizado quando cheguei no aeroporto e vi uma senhora segurando uma placa do UFC”, disse Tavares. “Estou de volta onde vivi toda a minha vida.”
Como lutador, Tavares fez 10-7-1 no UFC com seis finalizações no currículo. Ele lutou quatro vezes pelo PFL em 2018 e só voltou em 2020 para as três últimas lutas no Brasil e na Rússia.
“Eu estava disposto a fazer qualquer coisa para sair vitorioso”, disse Tavares. “Acho que é por isso que minhas lutas eram tão guerras, certo? Para me vencer, eles teriam que tentar me matar – e alguns deles o fizeram. Khabib quase conseguiu (risos).”
Como médico, atualmente atua nos plantões de urgência e emergência de um hospital de Florianópolis, e atende crianças com autismo e TDAH em uma clínica local. Ele fez parceria com o Dr. Rai Jean, ex-lutador da Chute Boxe que era rival local naquela época.
Além disso, o atleta veterano está abrindo sua própria clínica, o Sensorys Institute, onde focará na saúde física e mental.
“É um sentimento avassalador para mim”, disse Tavares sobre ser contratado como médico do UFC. “Na época em que o PRIDE era a maior organização do mundo, e todos os meus amigos queriam lutar no PRIDE, eu queria lutar no UFC porque aquela jaula me fascinava. Alex Davis me ligou no dia 23 de dezembro de 2006, para me dizer que eu tinha um contrato de três lutas com o UFC, e quando me contataram para dizer que eu trabalharia como médico do UFC aqui no Rio de Janeiro, senti exatamente a mesma coisa.
“A mesma sensação. Cara… estou de volta ao UFC. Devo tudo que tenho ao UFC.”
