Itália introduz imposto sobre produtos de moda ultrarrápidos

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MILÃO – A Itália deu o primeiro passo oficial para conter o impacto da moda ultrarrápida, visando plataformas como Shein e Temu.

Na terça-feira, o Senado aprovou a “Legge di Bilancio 2026”, ou “Lei do Orçamento 2026”, que introduz uma medida que impõe uma taxa de 2 euros sobre todas as encomendas avaliadas em menos de 150 euros que chegam à Itália provenientes de países extra-União Europeia. Até antes da nova lei, os bens de baixo valor eram isentos de impostos.
O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara Baixa do Parlamento italiano. De acordo com a lei italiana, a Câmara dos Deputados não tem capacidade para alterar o projeto de lei, que deve ser aprovado até o final do ano.
A medida responde aos pedidos contínuos de associações da indústria da moda, incluindo a Confindustria Moda, a Confindustria Accessori Moda e a Camera Nazionale della Moda Italiana, entre outras, para visar o influxo não regulamentado de produtos de baixo custo e de baixa qualidade para o país.
A Camera della Moda estimou que cerca de 1 milhão de encomendas de países extra-UE circularam em Itália no ano passado. De acordo com os números mais recentes fornecidos pela associação de moda, as importações de bens de moda da China aumentaram 11,8% nos oito meses até Agosto. 31, no valor de 4,5 mil milhões de euros.
O projeto de lei italiano antecipa a decisão da UE de antecipar o seu cronograma para colmatar a lacuna que alimentou a rápida ascensão das empresas de moda ultrarrápida nos últimos anos.
Conforme relatado, em Novembro passado, os ministros das finanças europeus do bloco de 27 países aprovaram um acordo semelhante para abolir a isenção sobre pacotes avaliados em menos de 150 euros, a ser implementado já no primeiro trimestre de 2026 – dois anos antes do previsto.
As novas regras também verão as encomendas sujeitas a encargos adicionais de manuseamento e importação, que é a atribuição formal prevista na lei italiana para a nova taxa.
Ambas as medidas reflectem a decisão dos EUA de reverter a sua própria permissão de minimis, destinada a conter o fluxo de importações chinesas ultrabaratas, que entrou em vigor em Maio.

Entretanto, a França tem sido particularmente enérgica na sua luta contra plataformas como Shein e Temu, fazendo lobby junto da UE para avançar no sentido de uma regulamentação mais rigorosa.
Conforme relatado, na semana passada Shein evitou uma proibição temporária na França depois que um tribunal judicial de Paris considerou o pedido do governo “desproporcional” após a remoção voluntária de produtos ilícitos pela plataforma.
O governo tentou bloquear o site devido a itens ilegais listados no seu mercado, após intenso escrutínio após a abertura da sua primeira loja física em Paris, em novembro.
Em Novembro, uma dúzia de federações retalhistas francesas, às quais se juntaram marcas nacionais líderes, iniciaram uma acção judicial contra a subsidiária europeia da Shein com sede na Irlanda, a Infinite Styles Service Co.
A um nível europeu mais amplo, a França apelou a sanções através da Comissão Europeia, que solicitou informações a Shein, mas ainda não abriu uma investigação formal.

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