Na Dice Kayek, a precisão sempre foi o objetivo. E para o outono, a estilista Ece Ege mais uma vez recorreu à alfaiataria como base para seu guarda-roupa de construção cuidadosa.
Jaquetas inspiradas na moda masculina com ombros definidos ancoraram a coleção, combinadas com saias assimétricas, peplums esculpidos que deram um toque sutil ao New Look e camisas de corte lindo finalizadas com laços lavallière. O volume das camisas conseguiu ser extravagante e não avassalador.
Xadrez e pied-de-poule em marrom e preto outonais reforçaram o tema da alfaiataria, enquanto enfeites sutis, como bordados em estilo otomano nas camisas, adicionaram textura sem perturbar a contenção geral.
Para Ege, a estrutura não é meramente estética. É psicológico. “O primeiro é a forma e a estrutura. Quando uma roupa é cortada corretamente, ela embeleza você – você parece mais magro, mais alto, mais jovem e sua autoconfiança é altíssima”, disse ela. Postura é apresentação, aqui.
Essa filosofia podia ser sentida na facilidade das silhuetas. As jaquetas assentavam bem nos ombros, enquanto as saias e vestidos introduziam movimento através de cortes assimétricos e pregas. Um vestido exclusivo – introduzido pela primeira vez em 2009 em couro lacado – retornou nesta temporada em novas fabricações, com suas dobras esculpidas nos ombros em lã italiana.
O tecido é a base de seu trabalho, disse Ege. As lãs xadrez originárias da Itália acompanhavam as sarjas da marca, enquanto as silhuetas noturnas familiares foram retrabalhadas com bordados em jaquetas curtas e as saias de cetim de seda em formatos finos de contas e vestidos de baile. Tudo foi feito para ser “atemporal”, disse ela.
Essa praticidade também reflete o momento atual. À medida que a incerteza global pesa sobre os gastos de luxo, Ege disse que as pessoas estão a pensar com mais cuidado sobre o que compram. “Quando investem nisso, sabem que vão ficar com aquela jaqueta. Não vão jogá-la fora em seis meses.”
