Charles Oliveira: A forma como Herb Dean lidou com os ataques ilegais de Ciryl Gane deveria ‘servir de lição’

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Alex Pereira tem manifestado seu descontentamento sobre a falta de ação de Herb Dean em relação a Ciryl Gane e os golpes ilegais desferidos durante a luta pelo título do UFC na Casa Branca, e Charles Oliveira vê esta situação como uma oportunidade de melhoria para todas as partes envolvidas.

O titular do ‘BMF’ disse ao MMA Fighting que esperava que Gane fosse uma estreia “extremamente dura” no peso pesado para “Poatan”, mas imaginava um caminho para a vitória. No final, porém, Gane finalizou após derrubar Pereira com um soco e machucá-lo com uma série de socos e cotoveladas, alguns dos quais acertaram a nuca de Pereira.

“Poatan reagiu da maneira certa (após o knockdown), indo para as pernas para defender”, disse Oliveira, “Aí, no meio daquele caos – não porque ele é brasileiro, mas o mundo inteiro viu e era óbvio – alguns tiros acertaram na nuca quando não deveriam”.

Observando o que aconteceu com Pereira, Oliveira imediatamente se lembrou de sua revanche de cinco rounds com Michael Chandler em 2024, quando venceu por decisão apesar do árbitro Keith Peterson ter errado Chandler acertando golpes ilegais na nuca.

“Eu estava fazendo uma ótima luta contra o Michael Chandler, fazendo com que parecesse fácil contra ele – desculpe falar assim, não gosto nem de falar assim – e aí, no round final, ele me acertou um chute e me deu um soco no olho”, disse Oliveira. “Coloquei a mão no olho e Chandler começou a dar socos, caí e pensei em quantos golpes levei na nuca. Basta parar e pensar. Se eu tivesse perdido para Michael Chandler naquela noite, se o árbitro tivesse parado a luta, minha carreira teria continuado com o mesmo ímpeto? Eu teria fugido como fiz?

“Agora imagine o adversário do Poatan, sabendo de toda a pressão que envolve aquela luta. Se o Poatan tivesse vencido, ele teria se tornado o cara com títulos em três categorias de peso diferentes. O nome do Poatan é enorme. Então imagine ser o adversário dele, acertando um figurão e pensando: ‘Cara, vou vencer esse cara, vou parar com todo esse hype, e meu nome vai disparar.’ Ele está sob pressão, num momento em que quer jogar tudo o que tem. Por isso acho que tem um árbitro ali para entender o que é certo e o que é errado, se é hora de parar a ação ou não. Coloquei toda a responsabilidade no árbitro, assim como fiz com o árbitro na minha luta. Acho que ele deveria ter parado a luta e dito: ‘Cara, você está fazendo algo errado.’

“No caso de Herb Dean, acho que ele deveria ter intervindo. Como disse Poatan, ele recebeu o soco, deu outros golpes e houve socos na nuca. As pessoas me perguntaram: ‘Você acha que um soco na nuca fez alguma diferença?’ Eu não sei. Eu não estava lá. O que sei é que vários tiros caíram em lugares onde não deveriam. Se isso afetou o resultado ou não, não posso dizer. Mas definitivamente houve ataques ilegais.”

Pereira pediu ação contra Dean e disse que se recusará a lutar caso o árbitro veterano seja escolhido como o terceiro homem na jaula para sua próxima luta no UFC. Embora Oliveira concorde com as críticas à ligação de Dean naquela noite, ele não vai tão longe a ponto de se juntar a ele e pedir para Dean não trabalhar em suas lutas futuras. Em vez disso, ele chama isso de oportunidade de mudar as coisas para melhor.

“Não podemos tornar isso um problema maior do que é”, disse Oliveira, que teve Dean como árbitro em cinco de suas 37 lutas no UFC. “Herb Dean arbitrou várias de minhas lutas. Ele sempre me tratou com respeito, então não tenho absolutamente nenhum problema com ele arbitrando uma de minhas lutas. A realidade é que às vezes as coisas acontecem no calor do momento. O ângulo que ele tinha pode não ter dado a ele a melhor visão. Para mim, ele ainda é um grande árbitro.”

“Acho que situações como essa servem de lição para outros árbitros, para o UFC, para a comissão, para todos os envolvidos”, continuou. “Quer as pessoas gostem ou não, havia muita coisa em jogo naquela luta. Poatan poderia ter se tornado um nome ainda maior, potencialmente o GOAT do MMA, ao conquistar o terceiro cinturão. Houve muita pressão em torno daquele momento. Não tenho nada contra ele arbitrar minha próxima luta. Isso não é um problema para mim. Mas acho que serve como um lembrete para todos ficarem alertas e garantirem que situações como essa não aconteçam novamente.”

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