Carlos Prates pediu luta com Jack Della Maddalena no UFC Perth no dia 2 de maio e é isso que vem a seguir. Além de enfrentar um ex-campeão dos meio-médios na luta principal, “The Nightmare” teve um motivo muito especial para viajar para a Austrália: sua filha.
A filha de Prates, de 6 anos, mora na Austrália, e o peso meio-médio do Fighting Nerd trouxe sua mãe Regina para o exterior pela primeira vez para que finalmente possam se conhecer pessoalmente.
Regina é presença constante na vida do filho, fazendo com que ele tenha o melhor desempenho na academia e sob os holofotes do UFC; porém, desta vez, ela só tem olhos para a neta.
“Ela nem está mais focada na luta”, disse Prates ao MMA Fighting. “Agora é tudo uma questão de ver a neta. Ela já esqueceu que estou brigando. Ela não liga nem um pouco (risos).”
Prates lutou uma vez na Austrália como lutador do UFC em 2024, nocauteando Li Jingliang. Sua filha estava presente naquela noite e estará na RAC Arena neste sábado para assistir seu pai enfrentar Della Maddalena, da Austrália.
Prates conhece bem as competições em território inimigo e não está nem aí para as más vibrações porque “a torcida pode vaiar ou torcer, mas quando a jaula fecha, são só dois caras lá dentro”.
Tudo o que Prates se preocupa agora é deixar sua família orgulhosa.
“Ela gosta de lutar, ela treina”, disse Prates sobre a filha. “Se você não desacelerar ela já quer brincar de brigar com todo mundo. Você tem que segurá-la (risos).”
Pai e filha estão separados por milhares de quilômetros e pelo oceano Pacífico, mas Prates disse que tenta ser o melhor pai possível, apesar da longa distância.
“Eu cresci sem pai”, disse Prates. “Meu pai morreu quando eu tinha um ano e meio, e então conheci meu ‘pai’, o Cris (Nogueira, técnico dele), quando eu tinha 15 anos, então sei como é. Claro que não gostaria de ficar longe. Claro que gostaria de tê-la comigo (no Brasil), mas é uma coisa que meu técnico (Wagner) Motta sempre me ensina: vamos fazer o melhor que pudermos com as condições que temos agora. E a condição que tenho agora é vê-la duas ou três vezes por ano, se eu pudesse, eu a traria aqui e ela ficaria comigo. Se eu pudesse morar lá também, tudo bem.
Prates disse que se sentiu “bem” crescendo sem pai até que o técnico do Vale Top Team, Nogueira, se tornou uma figura paterna para ele. Isso não significa que ele queira que outros tenham a mesma experiência.
“Cresci sem pai e isso não fez diferença para mim porque era normal”, disse Prates, “mas não gostaria que minha filha também se sentisse assim, pensasse assim”.
O paulista teve sucesso no UFC, vencendo seis das sete partidas no octógono, todas por nocaute, e com bônus de desempenho em dinheiro em cada uma delas. Perto de completar 33 anos e com mais de 100 lutas de muay Thai no currículo, além de 30 lutas de MMA, Prates não se vê fazendo isso por muito mais tempo.
“Tempo é algo que você não recupera”, disse Prates. “Não dá para ganhar tempo. O tempo está passando e estou trabalhando como um louco, sabe? Ontem vi minha mãe, mas já fazia uns três dias desde a última vez que a vi porque as coisas estão agitadas. Minha mãe já está na casa dos setenta, preciso aproveitar o tempo com ela e estar com ela, sabe?
Prates pode disputar o cinturão com uma vitória no sábado, derrotando dois ex-campeões consecutivos após seu último nocaute sobre Leon Edwards, e quer escrever seu nome nos livros de história. Ironicamente, a parte mais exaustiva de sua carreira de lutador não é a luta.
“O mais desgastante é a burocracia, ter que lidar com problemas que nada têm a ver com combates”, disse Prates. “Hoje em dia estou conseguindo delegar mais para as pessoas que trabalham comigo, mas ainda não tudo. Tudo que não tem a ver com luta me desgasta. Acho que não só eu, desgasta todo mundo.”
Reivindicar bônus para cada vitória adiciona muitos zeros à sua conta bancária, e Prates disse que tudo é feito para proporcionar um futuro melhor para aqueles que o rodeiam.
“O Lucas (Lutkus) é um gestor que, além de cuidar da parte lutadora, também cuida da gente na parte financeira”, disse Prates. “Tem uma equipe inteira que trabalha comigo. Tem um consultor financeiro, meu contador. Se fosse só eu, tem coisas que eu nem saberia que existem (risos). Se eu tivesse que fazer tudo sozinho, estaria ferrado.”
