Os lutadores do UFC precisam treinar para todas as variáveis e complexidades que uma competição de MMA apresenta, mas aqueles programados para competir no card do UFC na Casa Branca, no dia 14 de junho, podem enfrentar obstáculos extras, como chuva, raios e insetos.
Esta não será a primeira vez que um evento de MMA será realizado ao ar livre. Justin Gaethje e Diego Lopes, que enfrentarão Ilia Topuria e Steve Garcia respectivamente no gramado da Casa Branca, já lutaram ao ar livre em suas carreiras – mas não tiveram que lidar com questões climáticas naquelas noites.
E isso pode ser um grande problema, mesmo que o produtor executivo do UFC Craig Borsari tenha planos de contingência em vigor para possíveis problemas climáticos.
O Jungle Fight, promoção de MMA mais popular e histórica do Brasil, realizou um evento improvisado ao ar livre em Vila Velha. O show estava previsto para acontecer em um ginásio local em fevereiro de 2010, mas os planos mudaram após a pesagem.
“Era para ser realizado na arena, mas o tempo melhorou”, Ismail disse ao veterano repórter de MMA Marcelo Alonso naquele dia. “E como sou guerreiro e quero fazer história, será o primeiro evento de MMA realizado em uma praia. Vamos para a guerra. Não há grandes vitórias sem grandes riscos. Vai ser histórico.”
Ismail ajudou sua tripulação a carregar a estrutura do ginásio até a praia, e os lutadores foram informados que lutariam ao ar livre. Renan Barão, Erick Silva e Rodrigo Damm, que anos depois estaria no UFC, foram alguns dos destaques do line-up do Jungle Fight 17.
Segundo Alonso, houve pressão “intensa” dos políticos locais para transferir o evento para a praia para que parecesse mais legal na televisão nacional.
“A coisa mais louca deste evento não foi apenas a chuva”, disse Alonso. “Os sites meteorológicos não eram tão precisos quanto são hoje no que diz respeito ao tempo, mas havia 60% de chance de chover naquela noite. Lembro-me de Magno Malta colocando muita pressão sobre todos porque o evento era patrocinado pela cidade ou pelo governo estadual, e tê-lo na praia seria uma grande publicidade para eles. Wallid sabia do risco, especialmente com o evento sendo transmitido ao vivo pela TV, mas a pressão era intensa.”
Os lutadores não gostaram da ideia de lutar nessas condições.
“Erick Silva e eu é que deixamos todo mundo animado”, disse Edson Franca, um dos headliners. “Alguns lutadores não queriam competir, mas seguimos em frente.”
“Aquele dia foi tenso”, acrescentou Silva. “Lembro-me dos lutadores que estavam no vestiário quando começou a chover, e alguns deles disseram que não iriam lutar na chuva. Wallid entrou e conversou com todos. ‘Estamos fazendo isso. Vamos lá e ver o que acontece.’
Marcelo Guimarães, que também lutou no UFC anos depois, foi o primeiro a entrar no ringue e vencer a luta. Barão também venceu por decisão na segunda luta da noite, e aí começou a chover.
“Uma grande tempestade atingiu”, disse Alonso. “Eu tinha uma teleobjetiva e consegui me posicionar mais atrás, mas os cinegrafistas da TV ficaram completamente encharcados.”
“Alguns lutadores quiseram desistir, tentando adiar o evento”, disse Jorge Rodrigues, companheiro de Renan Barão na época. “Mas viemos de Natal e reduzimos peso para lutar, então decidimos seguir em frente e lutar.”
Alonso lembra que “era muito perigoso” com “os lutadores escorregando para todos os lados”
“Eles consideraram cancelar o evento, mas foi adiante e tudo deu certo”, disse Damm. Ele e sua irmã, Carina Damm, saíram vitoriosos. “A lona ficou um pouco escorregadia durante a luta, mas fez mal tanto para mim quanto para o meu oponente.”
A principal preocupação era se a lona ficaria muito escorregadia, lembrou Silva, mas os lutadores continuaram competindo e voltando ao vestiário para relatar as condições “boas” aos outros lutadores, então “no final tudo deu certo”.
A previsão para domingo em Washington indica grande chance de chuva. O UFC construiu uma enorme estrutura no gramado sul da Casa Branca em caso de chuva, para que os lutadores não tenham que lidar com a mesma tela escorregadia que Franca teve na luta principal contra Geronimo dos Santos.
“Estava extremamente escorregadio e prejudicou muito meu jiu-jitsu”, disse Franca. “Eu o derrubaria, mas ele escorregaria e se levantaria.”
A luta terminou no segundo round depois que Franca tentou uma queda e “Mondragon” escorregou em uma poça d’água e quase caiu do ringue. Dos Santos bateu e o resultado foi oficialmente declarado nocaute técnico, aposentadoria.
“Foi uma guerra”, disse Franca. “E essa luta foi muito importante para mim porque ‘Mondragon’ estava vencendo todo mundo no Brasil naquela época. Depois disso, as pessoas começaram a acreditar em mim.”

